Um post sobre Tomar, idiotas e gente estúpida

idiotas

Não há, estatisticamente, mais idiotas ou gente estúpida em Tomar que em outros sítios. Como moro cá há muitos anos, é natural que conheça mais idiotas e gente estúpida cá do que, sei lá, em Londres ou na Abrançalha. Ainda por cima, isto é pequeno e toda a gente se conhece.

Isto vem a propósito de várias coisas que aconteceram por cá, esta semana. Algumas metem “eventos” e “cultura”. Outras metem “buracos”. E outras, ainda, coisas sem importância nenhuma. A propósito de todas, registei duas coisas:

- há bastantes idiotas por cá e muita gente verdadeiramente estúpida;

- há gente muito cansada por cá e muita mais gente muito zangada com as coisas que acontecem, e as que não acontecem, por cá.

Eu sou dos cansados (um bocado estúpido e frequentemente idiota, é verdade e é triste) e fartos. Já não me zango. Vou-me rindo. É só isto.

Palco 10-05-2014

Sábado, 10 de maio, lá voltámos – Waste Disposal Machine – a subir a um palco. Foi bom. Chegou a ser óptimo. Agora somos só três, eu, o Miguel e o Rui. Nunca tinha dado um concerto num formato tão reduzido e, até porque há mais de três anos que os Waste Disposal Machine não davam concertos, é capaz de se ter notado alguma ansiedade ou desconforto nos primeiros temas.

Já passou quase uma semana e agora a vontade de tocar ao vivo é ainda maior. Aquilo foi, ao mesmo tempo, um final e um princípio. O final de um processo demorado que começou com a entrada do Rui há quatro anos e terminou com a edição de um álbum, que demorou a ser gravado e misturado porque nenhum dos envolvidos vive disto e o tempo não chega para tudo… Pelo meio, há uns três anos e picos, houve a saída de duas pessoas com quem já tocava faziam parte da banda há bastante tempo. Ao mesmo tempo, sábado foi também o princípio de um caminho publicamente a três que não sabemos bem onde nos pode levar e que até pode nem levar a lado nenhum. Também não importa muito, desde que caminhemos.

_cctv

Coisas boas de sábado: a família e os amigos que lá tive(mos) e partilhar o palco com alguns deles em três temas; chegar ao fim da noite, com o material já descarregado na sala de ensaios e cansado, e não pensar “porra, nunca mais, que isto já dói”; um puto a dizer-me, meio surpreendido com a nossa idade, que nunca tinha ouvido falar de nós e que tinha gostado muito do concerto; ouvir dois dos temas que mais ouvi na vida no pós-concertos, pela mão do Nuno, que foi de Lisboa a Torres Novas para um dj set que teve muito metal e EBM/industrial/synth qb; e… Houve mais. Até o ensaio de som, e os problemas que há sempre nos ensaios de som e que habitualmente são a) um aborrecimento e b) um acréscimo de stress, foi uma das coisas boas de sábado!

Waste Disposal Machine

cartaz

um RELATÓRIO com muitos nomes *

Não me lembro do ano. Lembro-me das primeiras conversas – com o Miguel Silva, o Carlos Paiva e o Victor Boavista – sobre o formato e o estilo que iríamos adoptar. Vínhamos os quatro da mesma banda (Dell’Irium) e queríamos formar uma banda nova. Uns tempos depois conhecemos o Victor Silva e, entretanto, recrutámos o Pedro Serra. Gravámos uns temas em estúdio e começámos a tocar, pouco, ao vivo.

O Boavista acabou por se ir embora e veio o Hugo ‘Sacho’ Santos. Depois foi-se embora o Paiva. As coisas começaram a ficar mais sérias a partir de 2005. Começaram a haver mais concertos,  referências em alguma imprensa e começámos a gravar um EP que acabaria por se transformar num álbum. Terminámos o álbum em 2006, mas a edição foi sendo adiada até 2008. Pelo caminho ficou o Pedro Serra, que ainda participou nas gravações do álbum.

Pelo meio, fomos tendo cada vez mais concertos: no final de 2006 tocámos no antigo Hard Club e ao longo de 2007 demos concertos em Famalicão, Braga, Coimbra e Tomar, Vigo e Ribadavia na Galiza, num festival “industrial & afins” na Serra da Arrábida, n’O Meu Mercedes É Maior que o Teu no Porto, no Cine-Teatro de Corroios e até no Cabaret Maxime em Lisboa. Em 2008 lá saiu o primeiro álbum, “INTERFERENCE”, e fomos aumentando o número de concertos (na promoção ao álbum foram umas 30 datas – nada mau para uma banda da província sem agentes ou managers e quase sem “imprensa”). Em dois concertos alargámos a formação a um segundo guitarrista, o César Lopes.

Em 2010, lançámos “RECYCLED” um álbum com remisturas de temas de “INTERFERENCE” e juntou-se-nos o Rui Jorge, velho amigo que até já tinha tocado connosco em dois concertos uns anos antes. O primeiro concerto do Rui foi logo no novo Hard Club. Na mesma altura começámos a trabalhar no segundo álbum. No segundo semestre, e (se não me falha a memória) na mesma semana de Setembro, o Victor e ‘Sacho’ foram-se embora. O Nélson Brites ainda fez uns ensaios connosco, mas não pode ficar connosco muito tempo. Eu, o Miguel e o Rui decidimos continuar a três.

A três, acabámos de compor os temas para o segundo álbum, que foi sendo gravado, lentamente e ao longo de dois anos (!), no estúdio caseiro do Jorge Serigado, o nosso técnico de som ‘residente”. A lentidão do processo é uma longa história e não interessa a ninguém. Em Dezembro de 2013 terminámos as gravações e as misturas. Metade dos temas do álbum foram compostos e/ou interpretados com/por convidados: os PMDS (cúmplices de editora), Sci Fi Industries (Luís van Seixas, um dos patrões da Thisco, a nossa editora), Miss Cat (Catarina Ribeiro do duo Miss Cat e o Rapaz Cão), Broto Verbo (Carlos Matos) e Ah Cama-Sotz (projecto do belga Herman Klapholz, que conhecemos num festival no Seixal, em 2010).

Daqui a uma semana, lançamos, finalmente, o segundo álbum – “DEBRIS” – com um concerto em Torres Novas no Café-concerto do Teatro Virgínia, onde já tínhamos feito o lançamento oficial do primeiro. Este vai ser concerto vai ser um ponto final num processo longo e atribulado na vida dos Waste Disposal Machine e, também, nas nossas vidas. Meio a sério, meio a brincar, tenho dito que este é um álbum marcado pela crise. Não me apetece explicar porquê. Este concerto vai ser, também, o início de qualquer coisa. Não sei/sabemos ainda muito bem o quê. Mas estamos ansiosos.

______________________________________________________________________________

* Faltam alguns, bastantes, nomes neste relatório. De músicos com quem partilhámos palcos e camarins (sim, já tivemos luxos desses e às vezes até com catering!…) e técnicos de som, de promotores de concertos e de profissionais de empresas de som, de amigos e familiares, de gente que conhecemos antes ou depois ou por causa de concertos… Por exemplo, o Miguel ‘Noctvrno’ Silva, que nos tem fotografado e cujas fotografias serviram de base ao trabalho gráfico dos nossos álbuns. Ou o João Pereira, que fez todo o grafismo do álbum que apresentamos daqui a uma semana. Ou o Buga, que nos acompanhou em muitos concertos, carregou com material, ajudou-nos em palco, saltou e berrou à nossa frente e disparatou connosco e é uma das melhores pessoas do mundo e merecia um post todo só para ele.

web_debris_cover